sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Primeiro paciente no mundo curou-se do HIV num hospital em Berlim.


Gero Huetter, médico alemão responsável por curar um paciente com aids pela primeira vez na história.
Em 1995, o executivo americano Timothy Ray Brown contraiu aids. Foi também nesse ano que Gero Huetter, então graduando da Universidade de Berlim, decidiu entrar para o ramo da pesquisa médica. As duas histórias se cruzariam em maio de 2006, quando Brown, que também sofria de um tipo agressivo de leucemia,  abriu a porta do consultório com a placa: “Dr. Gero Huetter, hematologista”.
Brown estava magro, emaciado e com alguns órgãos já severamente comprometidos. Mas Huetter se lembra de notar no paciente, já nesse primeiro encontro, uma energia e um otimismo acima do comum. Optou, então, por submeter Brown a uma terapia que envolvia quimioterapia e transplante de medula. Mas um transplante especial: o doador da medula deveria possuir uma mutação rara, que eliminava de suas células a proteína CCR5, que permite a entrada do HIV nas células de defesa do organismo. Havia uma possibilidade teórica de que o tratamento destinado à leucemia pudesse ter algum impacto sobre a aids. "Eu não esperava muito da experiência", diz Huetter. "Ela nunca havia sido feita antes, nem mesmo em animais."
Neste mês, após dois transplantes de medula e três anos sem qualquer sinal de HIV no organismo de Brown, o médico anunciou o que parecia estar fora do horizonte médico: a cura de um paciente de aids. Embora esse sucesso em particular não signifique a cura da aids em geral, ela mostra que o HIV pode ser derrotado. Em entrevista ao site de VEJA, Huetter, 42 anos, conta detalhes da pesquisa, comenta o estado do paciente e as expectativas de cura para outras vítimas de HIV.
Como você se sente sendo o primeira médico a curar a aids no mundo? É um sentimento agradável. Foi um trabalho duro colocar todas as peças juntas, mas no final foi um sucesso.
O que permite dizer que o paciente está curado da aids? Não encontramos nenhum sinal de HIV nele. Normalmente, pacientes infectados por muito tempo possuem HIV integrado ao seu genoma. Nem isso encontramos nele. Todas as suas células infectadas foram substituídas pelas células do doador. 
Como você conheceu Brown? Ele era um paciente meu desde maio de 2006. Estava muito enfraquecido e com uma leucemia muito severa. Naquele momento, sem tratamento, esperava-se que ele vivesse apenas alguns meses. Com um tratamento convencional, sem transplante, tinha uma chance de 10 a 15% de remissão por um período curto, até a leucemia voltar. A única esperança real de vida para ele era um transplante de medula. Ele era jovem, tinha uns 40 anos na época, então tinha o melhor prognóstico para esse procedimento. Decidimos, então, que o melhor para ele, seria escolher um doador com a mutação do CCR5. A CCR5 é a proteína que permite a entrada do HIV nas células de defesa do nosso organismo. Sem ela, o vírus fica impossibilitado de nos infectar. Cerca de 1% da população mundial possui uma mutação que elimina o CCR5 das células.
Será possível replicar o tratamento em outras pessoas com HIV? Depois de publicar um artigo científico com nossos primeiros resultados, em 2008, recebemos consultas de pacientes de todo o mundo, que sofrem de leucemia e HIV. Para oito deles, fizemos uma busca de doadores compatíveis. Alguns tinham apenas dois doadores, então a probabilidade de encontrar a mutação era muito baixa. Outros morreram antes de o transplante ser feito. E o paciente mais promissor, uma criança, com mais de 100 possíveis doadores, não pode ser curada por esse método porque nenhum deles tinha essa mutação. Algumas vezes as estatísticas falham com você. Agora estamos esperando outros contatos, de outras instituições e hospitais. Qualquer um que se encaixe nessas condições - ser soropositivo e vítima de leucemia - pode falar comigo e eu providenciarei a busca de doadores.
Essa pesquisa pode evoluir para uma cura geral? Sim. Mesmo antes que eu fizesse esse transplante, alguns pesquisadores estudavam a possibilidade de uma terapia genética ou uma medicação para o HIV que bloqueasse essa proteína, imitando a mutação. Agora existe investimento e interesse suficiente nessa linha de pesquisa, e pode ser que ela traga resultado.
Você esperava curar a aids ou foi um feliz acidente? Uma mistura dos dois, na verdade. Eu nunca tinha tentado nenhuma pesquisa com HIV antes disso. Sou um hematologista e trato pacientes com câncer, mas surgiu para mim esse paciente que tinha leucemia e HIV. Foi o momento em que comecei a pensar nessa abordagem. Sabia que havia uma pequena chance de curar a aids, mas não esperava muito da experiência, já que nunca havia sido tentada antes, nem mesmo em animais. Não tínhamos nada a que nos apegar.
Como foi o tratamento? Durante as primeiras sessões de quimioterapia, tivemos muitos problemas, incluindo falha de alguns órgãos. A leucemia é muito agressiva e diversos pacientes morrem nas primeiras três ou quatro semanas de tratamento. Não bastasse isso, Brown era soropositivo, com todos os riscos e problemas que isso acarreta.
Ele sofreu com algum efeito colateral? Sim. No segundo transplante, tivemos uma série de complicações. Ele ainda sofre com elas, especialmente as consequências cerebrais. Ele tem dificuldades de lembrar coisas que acabaram de acontecer. Não acontecimentos de cinco anos ou cinco meses atrás, mas de cinco minutos. Como “onde eu estava indo?” ou “onde deixei minhas chaves?”.
Ele voltará a ter uma vida normal? Sim, uma vida bem normal. Não tem mais restrições. Ele mudou-se para São Francisco, não sabe se em definitivo. Ainda não está trabalhando, mas esperamos que vá se livrar de boa parte dos efeitos colaterais nos próximos anos e voltar à sua rotina. Provavelmente, não fazendo exatamente as mesmas coisas que fazia antes, mas ele encontrará um jeito de trabalhar. 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Nanotecnologia | Brasil | USP | Câncer, Arteriosclerose

03/09/2010

Nanotecnologia brasileira trata câncer e aterosclerose

Partículas lipídicas nanométricas desenvolvidas em pesquisas na USP levam medicamentos a órgãos e tecidos afetados 


Nanopartícula com medicamento
Uma nanopartícula desenvolvida pelo grupo do professor Raul Cavalcante Maranhão, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCM-USP), é capaz de levar medicamentos especificamente a células cancerosas ou a tecidos de órgãos transplantados.
Recentemente, a equipe verificou que a técnica também é eficiente contra a aterosclerose.
"Trata-se de um avanço muito importante, pois é a primeira vez que se trata o efeito base da aterosclerose. Até agora, a doença era tratada com remédios para hipertensão - para a desobstrução de vasos -, que atingem os efeitos mas não a doença", disse Maranhão.
Nanotecnologia brasileira tratam câncer e aterosclerose
Partículas lipídicas nanométricas desenvolvidas em pesquisas na USP levam medicamentos a órgãos e tecidos afetados e encontram aplicações em quimioterapia, transplante de órgãos e no tratamento de aterosclerose.[Imagem: Ag.Fapesp]
Colesterol LDL

A pesquisa para criar a partícula nanométrica começou a tomar corpo em 1995, quando Maranhão iniciou o projeto "LDL artificial: um novo método para o tratamento do câncer".
O objetivo era criar uma versão artificial da LDL (lipoproteína de baixa densidade, em inglês), partícula que concentra mais de 70% do colesterol presente no sangue humano.
O resultado foi a LDE, uma LDL artificial composta de um envoltório de fosfolípedes e um núcleo de colesterol.
Na circulação, a LDE recebe partes proteicas das liproproteínas naturais ao se chocar com elas. Uma dessas partes é a Apo E, que passa a fazer parte da LDE. "Com ela, a LDE começou a se ligar ao receptor com muito mais força do que a própria LDL, porque a Apo E tem muito mais afinidade com o receptor", explicou Maranhão.
Receptores das células
A aplicação prática da pesquisa teve início quando o professor da USP conheceu o trabalho ganhador do prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1995, conquistado pelos norte-americanos Michael Stuart Brown e Joseph Goldstein.
Os dois haviam descoberto o receptor da LDL, mas a parte do trabalho que mais interessou a Maranhão foi a que mostrava que esse receptor é muito aumentado em células neoplásicas, as afetadas pelo câncer. Essa superexpressão dos receptores foi percebida pela primeira vez na leucemia.
A explicação disso seria que a célula cancerosa se divide com muito mais velocidade do que as células comuns. Para isso, ela precisa duplicar todo o seu estoque de membranas, que são formadas basicamente de lípides. A maneira mais fácil de a célula obter essa matéria-prima é pelo aumento no número de receptores para o LDL, que carregam o colesterol.
"Com essa descoberta, decidimos injetar uma droga na LDE para que atingisse diretamente o câncer, pois as demais células têm muito poucos receptores para a proteína", contou o professor, afirmando que essa manobra seria impossível de ser feita com a LDL.
Quimioterapia com nanotecnologia
Em alguns testes clínicos, as nanopartículas LDE foram marcadas, o que permitiu a visualização de sua trajetória pelo organismo. O experimento acabou confirmando que ela se concentrava nos sítios de medula óssea afetados pela leucemia.
O resultado é uma quimioterapia com toxicidade extremamente reduzida, que chega a ser até dez vezes menor na comparação com outras drogas. A quimioterapia tem como um dos principais obstáculos os efeitos colaterais provocados pela toxicidade dos medicamentos.
A seletividade do alvo conquistada com a nanotecnologia permitiu o combate às células doentes preservando as demais de uma exposição exagerada ao medicamento. Esse efeito foi observado também em outros tipos de cânceres, como ginecológico, mieloma múltiplo, mamário e ovariano.
Essa etapa foi desenvolvida no âmbito de outro Projeto Temático FAPESP, intitulado "Lipoproteínas artificiais na investigação das dislipidemias e no tratamento do câncer", conduzido de 2000 a 2004.
Remédio para aterosclerose
Ao aplicar a LDE em coelhos, Maranhão percebeu que a nanopartícula também se concentrava nas lesões ateroscleróticas dos animais. "A aterosclerose é um processo proliferativo desencadeado por uma doença inflamatória e, na proliferação, o número de receptores para LDL é aumentado", explicou.
Os resultados mostraram que a mesma LDE pode ser utilizada como veículo para levar drogas específicas contra a aterosclerose. Em testes feitos em coelhos, a técnica conseguiu reduzir a doença em até 60%.
O sucesso da nanopartícula fez com que Maranhão recebesse um convite para estender as aplicações da técnica. A iniciativa foi do diretor do Instituto do Coração da USP (Incor), Noedir Stolf, que havia desenvolvido técnicas de transplantes de coração em coelhos.
Nos animais, Stolf conseguiu implantar um coração sem retirar o órgão original. Com os dois corações trabalhando em paralelo, Maranhão testou a LDE e notou que ela se concentrava quatro vezes mais no órgão transplantado em comparação com o original. Mais uma vez, um processo inflamatório, provocado pela rejeição, estava aumentando os receptores para a nanopartícula.
Além da rejeição há uma aterosclerose acelerada conhecida por doença coronária do transplante, que afeta boa parte de transplantados cardíacos após cinco anos com o novo órgão. Trata-se de um processo de obstrução dos vasos e para o qual muitas vezes o único tratamento é um novo transplante.
Nos coelhos, tanto a rejeição como a obstrução das artérias foram tratadas com sucesso por meio da LDE. Segundo Maranhão, os resultados serão publicados em breve no periódico Journal of Thoraxic and Cardiovascular Surgery, que já aceitou o trabalho.
Para o professor, a LDE faz parte de uma nova categoria de medicamentos baseados na nanotecnologia e que podem abrir inúmeras aplicações na medicina.
"A ideia é ter uma nova classe de drogas para combater a aterosclerose cerebral, a periférica, doenças cardíacas, cânceres e muitas outras", indicou.

Autor: Agência Fapesp 
Fonte: Site Diário da Saúde 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Esperança contra o autismo

Como um pesquisador brasileiro fez neurônios doentes se comportarem como normais
CRISTIANE SEGATTO
 Reprodução
CRISTIANE SEGATTO 
Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 15 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo. Para falar com ela, o e-mail de contato écristianes@edglobo.com.br
O autismo é um dos mais intrigantes transtornos do desenvolvimento humano. Não é uma doença única, mas uma síndrome compostas por diversos males neurológicos que têm em comum duas características: deficiências no contato social e comportamento repetitivo. Durante muito tempo, acreditou-se que as crianças eram acometidas pela doença simplesmente porque não receberam afeto dos pais. Nas últimas décadas essa visão foi substituída pela certeza de que o problema é provocado por um distúrbio biológico no cérebro. A mais impressionante evidência disso foi divulgada hoje (11) pela revista científica Cell. 


A equipe liderada pelo biólogo brasileiro Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia, em San Diego, conseguiu três feitos inéditos e impactantes: 


1) criou neurônios autistas em laboratório 


2) revelou que eles são diferentes dos neurônios normais desde o início do desenvolvimento 


3) conseguiu tratar os neurônios autistas e fazer com que eles se comportassem como neurônios normais 


Nesse trabalho, Muotri decidiu trabalhar apenas com autistas portadores da síndrome de Rett - uma forma grave da doença. Os indivíduos que sofrem desse problema se desenvolvem normalmente até o primeiro ano de vida. A partir dessa fase, começa uma regressão acentuada. Além de apresentar comportamento autista, os pacientes perdem a coordenação motora e sofrem de rigidez muscular. Muitos morrem na juventude.




A síndrome de Rett foi escolhida pela equipe porque tem uma causa genética clara. Sabe-se que é provocada por mutações no gene conhecido como MeCP2. Além disso, os neurônios são afetados de forma mais dramática do que nos casos de autismo sem causa determinada. 


Para investigar como a doença se origina, Muotri decidiu criar neurônios autistas em laboratório. Células da pele de pacientes foram extraídas por meio de uma biópsia simples. Elas receberam quatro genes que as induziram a se comportar como se fossem células-tronco embrionárias.As novas células tornaram-se capazes de dar origem a qualquer tipo de tecido.
Essas células são conhecidas no meio científico como células-tronco de pluripotência induzida (iPS). O método foi descrito pela primeira vez pelo japonês Shinya Yamanaka em 2006. Atualmente é empregado no estudo de várias doenças porque elimina a necessidade de descarte de embriões humanos e todos os dilemas morais decorrentes disso. 


Em seguida, a equipe de Muotri adicionou vitamina A e outros fatores para induzir as células iPS a se transformar em neurônios. Deu certo. Como o genoma dessas células veio de pacientes autistas, pela primeira vez na história cientistas conseguiram criar neurônios autistas em laboratório e testemunhar o funcionamento deles desde o início do desenvolvimento. Observar o desenvolviemnto de um neurônio doente numa placa de Petri não é a mesma coisa que testemunhar isso dentro do cérebro de um paciente. Mas é um grande começo. 
   Divulgação
DIFERENÇA

Os cientistas criaram neurônios a partir de células da pele de autistas e de pessoas normais. Os pontos vermelhos são as sinapses (ponto de contato onde ocorre a transmissão de impulsos nervosos, de uma célula para outra). Os neurônios autistas (acima) formam menos sinapses que os neurônios normais
O grupo observou que o tamanho do núcleo dos neurônios autistas é menor do que o núcleo dos neurônios normais. O número de sinapses (pontos de contato onde ocorre a transmissão de impulsos nervosos entre uma célula e outra) também é reduzido nos neurônios autistas.
“Conseguimos demonstrar muito claramente que o autismo é uma doença biológica causada provavelmente por um defeito genético”, diz Muotri. “Esses neurônios criados em laboratório não sofreram a influência de nenhum fator ambiental e, mesmo assim, eram autistas”. 


Se já é possível criar neurônios autistas, será que em breve será possível “consertá-los”? A equipe de Muotri também investigou isso. Duas drogas foram usadas na tentativa de curar os neurônios: o fator de crescimento de insulina 1 (IGF-1) e a gentamicina. O resultado foi muito motivador. Os neurônios autistas tratados passaram a se comportar como se fossem neurônios normais. 


“Isso é fantástico, uma esperança de que a cura é possível”, diz Muotri. O trabalho indica que o estado autista não é permanente - e sim reversível. “Mostramos que é possível tratar esses neurônios antes dos sintomas aparecerem”, diz. 


Nenhuma das duas drogas, porém, podem ser usadas atualmente em pacientes. Uma delas não cruza a barreira hematoencefálica (membrana que protege o cérebro de substâncias químicas presentes no sangue). A outra droga é tóxica. Mas o método pode ser usado para testar novas drogas desenvolvidas com o objetivo de reverter o autismo. Também pode dar origem a um teste de diagnóstico inequívoco baseado num material abundante e de simples acesso: células da pele. 


“O mais surpreendente é que por esse método pudemos reconstituir a história de uma doença psiquiátrica numa placa de Petri”, diz Fred Gage, professor do Laboratório de Genética do Instituto Salk, em San Diego. É possível que em breve outras doenças psiquiátricas possam ser esclarecidas da mesma forma.

Divulgação
ALYSSON MUOTRI 
O pesquisador no laboratório do Instituto Salk, onde aprendeu a transformar células-tronco embrionárias em neurônios. Atualmente é professor da Universidade da Califórnia, em San Diego, e trabalha com células da pele 

O grupo de Gage também participou do trabalho. Foi com ele que Muotri aprendeu a transformar células-tronco embrionárias em neurônios. Gage orientou o pós-doutorado de Muotri no Instituto Salk. Desde então, o brasileiro galgou vários degraus. Em 2008, tornou-se coordenador de um laboratório na Universidade da Califórnia. Coordena 12 pessoas. No ano passado, recebeu US$ 1,5 milhão do National Institutes of Health (NIH) para aplicar nas pesquisas. Outro trabalho com os neurônios autistas foi aceito pela revista Nature e deve ser publicado na próxima semana.
Filho de um advogado e de uma comerciante que tinha uma papelaria no bairro de Pinheiros, em São Paulo, Muotri vive há oito anos nos Estados Unidos. É casado com a bióloga paulistana Carol Marchetto, uma das autoras do trabalho. Eles se conheceram no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Junto com o colega Cassiano Carromeu, formam o trio de brasileiros que assina o trabalho junto com outros seis pesquisadores estrangeiros. 


Carol e Muotri não pretendem sair de San Diego tão cedo. Lá encontraram condições ideais (dinheiro, liberdade, metas) para realizar pesquisa científica e uma qualidade de vida que o fez recusar convites para trabalhar em Boston e em Nova York. 


Em San Diego, Muotri descobriu o surfe e a ioga. “A pressão no ambiente acadêmico é tão grande que o cientista precisa ter preparo físico para suportar”, diz. “O surfe e a ioga me equilibram e me ajudam a lidar com as pressões”. Se a prática do esporte é proporcional aos insights que Muotri vem acumulando, vamos torcer para que ele continue pegando muitas ondas.
                                                                                                   Fonte: Revista Época.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Especial, frutas vermelhas.

Fitoquímico vermelho essencial para a saúde humana.


O licopeno é um fitoquímico vermelho brilhante encontrado em frutas e legumes.
Embora não seja uma vitamina essencial, é um dos mais poderosos antioxidantes.
 Os antioxidantes são responsáveis por reduzirem a 
quantidade de radicais livres
 encontrados no corpo humano. O consumo regular de licopeno
 pode ajudar a reduzir o risco de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral,
 câncer de próstata e câncer de mama, câncer de estômago, pulmões e osteoporose.

Este fitoquímico não é tóxico e pode ser consumido em grandes quantidades, apesar de que o consumo exagerado de alimentos ricos em licopeno podem dar à pele uma coloração vermelha temporária.

O mais conhecido dos alimentos ricos em licopeno é sem dúvida o tomate. Este é uma boa fonte de licopeno quando fresco, no entanto quando o submetemos à altas temperaturas, expomos até três vezes mais licopeno, sendo assim mais interessante consumi-lo cozido sobre a forma de molho. Quanto mais vermelho e maduro os tomates, maior é a concentração de licopeno ali presentes. É importante lembrarmos ainda que o licopeno é solúvel em gordura, logo, para tirar todo o proveito do licopeno e garantir sua absorção, refogue o tomate maduro sempre com um pouco de azeite, tornando-o assim facilmente absorvível.

Lembre-se então: A biodisponibilidade ou absorção de licopeno é maior em produtos que utilizam tomates cozidos, e influenciados pela quantidade de gordura da refeição. 

A melancia e a goiaba também contém licopeno, sendo também fontes de vitamina C. Estes poderão ser consumidos frescos ou em saladas. É importante dizermos aqui que a goiaba é classificada como uma "superfruta", devido aos seus vantajosos valores nutricionais. A goiaba pode conter até quatro vezes mais vitamina C se comparada as laranjas, assim como a vitamina A. As sementes da goiaba são fontes de ômega-3 e fibras alimentares.


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  Frutas vermelhas garantem memória afiada
Açaí, morango e mirtilo podem ajudar a garantir a saúde do cérebro nos idosos

Um estudo divulgado no Encontro Nacional da Sociedade Química dos EUA concluiu que açaí, morango e mirtilo podem ajudar a garantir a saúde do cérebro nos idosos. Esses frutos ativam um mecanismo de defesa do órgão, que limpa e recicla proteínas tóxicas ligadas a problemas mentais como perda de memória. Estudos anteriores, em que ratos foram alimentados durante dois meses com dietas contendo 2% de morango e mirtilo apresentaram recuperação de nervos e de padrões de comportamento ligados às atividades de aprendizado e reconhecimento. Segundo Shibu Poulose, autor do estudo, as micróglias são as células responsáveis pela operação de limpeza no cérebro, removendo substâncias que atrapalhariam as funções cognitivas do cérebro. Ele acredita que, com o tempo, essas estruturas deixam de funcionar corretamente, acarretando acúmulo de toxinas. Os compostos polifenólicos das três frutas restauram a capacidade das micróglias ao bloquear a ação de uma proteína que inibe o mecanismo de limpeza do cérebro.


Os shakes de emagrecimento podem ser consumidos com leite quente? 
Pedro diego, São Sebastião, SP 
A nutricionista Fernanda Giácomo, não vê problemas em consumir esses produtos com leite quente,
desde que no rótulo indique que as propriedades do shake não serão alteradas. Já os nutricionistas
 da Herbalife, empresa que fabrica grande variedade do produto, não orientam o consumo do shake
com leite quente, uma vez que eles são desenvolvidos para serem consumidos apenas como bebida
fria.

Fotos: Shutterstock / Divulgação
FRITURA SEM ÓLEO
Agora é possível fritar ovos sem usar nenhum fio de óleo. Isso porque a frigideira especial para ovos possui a tecnologia Expert Pro, que não o deixa grudar. O utensílio tem o exclusivo indicador Thermospot, que muda de cor quando atinge a temperatura adequada. 


Troca esperta
Os vegetais são indispensáveis numa dieta saudável. Mas é preciso variar o
cardápio e dar preferência àqueles mais nutritivos. Veja a dica da nutricionista
 Lívia Nogueira:

Alface é rica em vitaminas A e C e cálcio, porém em menor valor que a couve,
por exemplo. Além disso, não possui grande quantidade de ferro como as verduras
de folhas verde-escuras.
Fotos: Shutterstock / Divulgação
Couve é rica em cálcio, fósforo, ferro e vitaminas A e do complexo B.
No geral, os vegetais de cor verde-escura possuem quantidade de vitaminas, variedade
e absorção maiores que os vegetais verde-claros.

5 verdades sobre o arroz preto
1. Possui ômega-3, considerada a gordura boa para o organismo.
2. Sua película é rica em fibras, vitaminas A e do complexo B,
proteínas, compostos fenólicos, niacina, ácido nicotínico, ácido pantatênico e pró-vitaminas C e E.
3. Contém 30% mais fibras quando comparado ao arroz branco.
4. Possui altos índices de antocianina e antioxidantes, substâncias que garantem sua cor escura, ajudam na proteção das artérias e previnem as lesões no DNA que desencadeiam o câncer.
5. O arroz preto era conhecido na China como “arroz proibido”, porque era apreciado
somente por pessoas de classe nobre.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Saúde abre consulta pública para atualizar diagnóstico e tratamento do AVC



por Carolina Pimentel l Agência Brasil
01/11/2010
De 2005 a 2009, foram registradas, por ano, cerca de 170 mil internações por AVC, com base em dados do SUS
Brasília – O Ministério da Saúde abriu discussão para atualizar o diagnóstico e o tratamento de pacientes acometidos por acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. O governo colocou na sexta - feira (29) em consulta pública proposta com orientações aos profissionais de saúde para o diagnóstico, tratamento e assistência aos pacientes com a doença. O objetivo é reduzir o número de mortes e sequelas. A iniciativa marcou o Dia Mundial de Combate ao AVC.





O acidente vascular cerebral é a segunda maior causa de morte e a principal causa de incapacidade no mundo. De 2005 a 2009, foram registradas, por ano, cerca de 170 mil internações por AVC, com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 17% dos casos, o paciente morreu. Cerca de 25% dos pacientes com AVC morrem depois de um mês, 60% após seis meses e metade deles depois de um ano.
No documento, o ministério propõe que seja usado o medicamento Alteplase por ele reduzir em 30% as chances de sequelas se aplicado quatro horas após os primeiros sintomas de AVC. O remédio age na dissolução dos coágulos responsáveis por obstruir o fluxo sanguíneo no cérebro.
A população pode enviar as sugestões à consulta pública do Ministério da Saúde sobre o tratamento do AVC para o e-mail pcdt.consulta2010@saude.gov.br. A consulta ficará aberta por 30 dias.
O AVC é causado pela interrupção brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral provocada por um coágulo, denominado isquêmico, ou o rompimento de um vaso sanguíneo provocando sangramento no cérebro, chamado hemorrágico. O AVC isquêmico é o mais comum, representando mais de 80% dos casos da doença.
Os sintomas de um AVC são fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar, entender o interlocutor ou enxergar, tontura repentina e dor de cabeça muito forte sem motivo aparente. Os fatores que aumentam as chances de ocorrer um AVC são: hipertensão, diabetes, fumo, álcool, alta taxa de colesterol e sedentarismo. A doença atinge principalmente idosos com mais de 60 anos de idade, porém há registros de ocorrências em jovens e recém-nascidos.
Segundo os especialistas, é possível prevenir a doença com hábitos saudáveis no decorrer da vida, como prática de exercícios. No entanto, eles alertam que a maioria dos brasileiros ainda desconhece os sintomas do AVC e não procura o atendimento médico de emergência.

Cientistas avançam em estudo de proteína que destrói câncer


Proteína, chamada perforina, perfura células tomadas por vírus ou que se transformaram em células cancerígenas

Cientistas australianos e britânicos observaram pela primeira vez o funcionamento de uma proteína capaz de destruir células cancerígenas de seu interior, avanço que permitirá avançar no tratamento contra o câncer, a malária e o diabetes, revelaram nesta segunda-feira os pesquisadores. A descrição da estrutura molecular desta proteína, chamada perforina, e seu funcionamento, foram publicados na última edição da revista "Nature". 

"Esta proteína perfura células tomadas por vírus ou que se transformaram em células cancerígenas e permite a entrada de enzimas tóxicas que depois as matam de seu interior", explicou em comunicado o responsável pelo projeto, James Whisstock, da Universidade de Monash, em Melbourne. "Sem esta proteína nosso sistema imunológico não pode destruir estas células. 

Agora que sabemos como é seu funcionamento, podemos começar a ver como é possível combater o câncer, a malária e o diabetes", acrescentou Whisstock. A pesquisa, que durou dez anos, conclui as observações que o prêmio Nobel Jules Bordet iniciou há cerca de 110 anos. 

"A descoberta dá uma resposta fundamental ao mistério da imunologia", disse Whisstock, quem ressaltou que sua experiência com ratos revelou que a insuficiência de perforina acelera o desenvolvimento de tumores e, em particular, de leucemia. 

Segundo Whisstock, a proteína também pode atacar células sãs por uma deficiência do sistema imunológico, como no estádio inicial do diabetes, ou pela rejeição de um tecido após um transplante de medula óssea. A pesquisa contou com cientistas da Univesidade de Monash, do Centro de Câncer Peter MacCallum, também em Melbourne, e do Birkbeck College, em Londres.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Gel anticoncepcional

Cientistas norte-americanos afirmaram que um gel contraceptivo aplicado diretamente na pele pode ser usado como uma alternativa à pílula anticoncepcional.
O produto, chamado Nestorone, está sendo desenvolvido pela indústria farmacêutica americana Antares Pharma e a pesquisa foi apresentada durante a conferência da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em Denver, nos Estados Unidos.
Quando totalmente desenvolvido e aprovado para uso, o produto poderia ser aplicado como um creme no abdome, nas coxas, braços e ombros e é rapidamente absorvido pela pele sem deixar resíduo.
Por enquanto, apenas 18 mulheres testaram o produto.
Projesterona artificial
Testes clínicos muito preliminares mostraram que o creme é eficaz e tem boa tolerância, sem produzir os efeitos colaterais secundários associados à pílula, como náusea, aumento de peso e acne.
O ingrediente mais importante é um novo tipo de progesterona sintética, muito parecida com o hormônio natural. O remédio também tem uma classe de estrogênio quimicamente idêntico ao produzido pelas mulheres.
Segundo os cientistas, o medicamento também pode ser usado por mulheres que estão amamentando, ao contrário da pílula, que pode interferir na produção do leite materno.
Adesivo anticoncepcional
A médica Ruth Merkatz, do centro de pesquisa da organização sem fins lucrativos Population Council, com sede em Nova Iorque, fez o estudo sobre o produto com 18 mulheres entre 20 e 30 anos. De acordo com este estudo, a dose ideal é de três miligramas do creme por dia.
No período de sete meses nenhuma das mulheres que usou o tratamento ficou grávida. Os exames hormonais mostraram que o gel conseguiu suprimir a produção de óvulos nos ovários das mulheres testadas.
"Estamos nas primeiras etapas de seu desenvolvimento, mas agora poderíamos continuar testando em muitas outras mulheres", afirmou Merkatz.
O novo creme funciona da mesma forma que o adesivo anticoncepcional, disponível atualmente em alguns países. O adesivo é colocado sobre a pele e libera uma dose regular de progesterona e estrogênio, que evita que os ovários liberem um óvulo a cada mês.
Mas, o adesivo tem duas grandes desvantagens em relação ao gel, é visível e pode se soltar da pele.
Alternativa à pílula
Apesar dos estágios iniciais dos testes, os cientistas afirmam que o novo creme poderia oferecer uma alternativa à pílula anticoncepcional, usada por milhões de mulheres em todo o mundo.
"Qualquer sistema contraceptivo que aumente a seleção de métodos disponíveis para as mulheres e ajude a evitar a gravidez indesejada é bem-vindo", afirmou Natika Halil, diretora de informação da Associação Britânica de Planejamento Familiar.
Mas, Halil alerta que "este produto não será conveniente para todas as mulheres, apenas para aquelas que se sintam confortáveis ao usá-lo na pele".
Enquanto isso, outra pesquisa de ponta descobriu finalmente a estrutura que permite que o espermatozoide ligue-se ao óvulo, o que permitirá o desenvolvimento de anticoncepcionais verdadeiramente inovadores - veja a reportagem O óvulo encontra o espermatozoide: O lado feminino da história.